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Posts Tagged ‘País das Maravilhas’

É comum algum leitor aqui do blogue me procurar pedindo indicações de materiais bons e confiáveis para ajudar no estudo dos livros Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, que, sabemos, podem ser um tanto herméticos para o leitor contemporâneo. Também, há aqueles outros leitores que chegam até mim buscando sugestões de textos sobre a polêmica e misteriosa biografia de Lewis Carroll. Seja por interesse acadêmico ou por pura realização pessoal, me parece que muitas pessoas têm interesse nesses tipos de materiais e, portanto, achei interessante dedicar um artigo ao assunto aqui no Bloggerwocky. Uma vez que algumas das recomendações abaixo são textos escritos originalmente em inglês, indicarei, sempre que existirem, as versões traduzidas para o português.

Primeiramente, o que é que há de mais essencial para que se possa começar a interpretar as Alices, que, vale lembrar, são textos literários? Se você, leitor, não souber muito bem o que é a linguagem literária e o que a faz especial e artística, o porquê de livros de autores como Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Manuel Bandeira, dentre outros, serem considerados clássicos, a razão dos livros de alguns autores best-seller serem malvistos pela crítica e pela academia apesar de venderem bem, o que diferencia o tipo de linguagem empregada, por exemplo, em uma notícia do tipo de linguagem presente em contos, romances, crônicas e poesias, dentre outras coisas, recomendo, antes de mais nada, a leitura do livro A Linguagem Literária, do Domício Proença Filho. É um livro curto, barato, de linguagem acessível e que trata de temas bastante fundamentais, quase sempre esquecidos durante os ciclos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, porém importantíssimos para a percepção da linguagem literária enquanto fazer artístico que lança mão da palavra como matéria-prima. Em suma, é uma leitura que recomendo não só a quem queira estudar as Alices, mas a quem se interesse por começar a estudar literatura em geral.

Agora falemos sobre a bibliografia referente ao Alice no País das Maravilhas e ao Alice Através do Espelho, especificamente. Dentre os diversos materiais de estudo já publicados a respeito, há dois que considero como, digamos, os mais essenciais: o primeiro, e mais importante, é o livro Alice — Edição Comentada (traduzido por Maria Luiza X. de A. Borges e lançado no Brasil pela editora Jorge Zahar), que além das histórias propriamente ditas traz comentários de Martin Gardner; e o segundo é o estudo A criança como zagal, escrito por William Empson (traduzido por José Laurênio de Melo e presente no volume 2 do Teoria da literatura em suas fontes). Há outras edições comentadas, em inglês, mas a qualidade do estudo de Martin Gardner é incomparável. Considero livro obrigatório àqueles que pretendam realizar um estudo acadêmico ou mais aprofundado das obras. Já o texto de William Empson, por sua vez, apresenta leituras deliciosas e muito perspicazes para vários dos símbolos presentes nas Alices.

Há ainda outros livros e artigos que recomendo a quem queira se aprofundar ainda mais: Alice no País das Maravilhas e a Filosofia, organizado por William Irwin e Richard Brian Davis, e que, apesar de algumas vezes me passar a impressão de ser um bocado caça-níqueis, não deixa de apresentar reflexões interessantes, além de usar uma linguagem bem acessível; Rima e Solução: A Poesia Nonsense de Lewis Carroll e Edward Lear, de Myriam Ávila, um livro mais denso; Tradução e Adaptação: Encruzilhadas da textualidade em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e Kim, de Rudyard Kipling, de Lauro Maia Amorim, excelente para os que querem estudar a questão da tradução das Alices; o prefácio de Jean Gattégno para uma das traduções francesas de Alice, o qual contém algumas informações bastante básicas sobre o contexto de escritura das Alices (infelizmente não foi traduzido para o português); Alice in Wonderland — A Norton Critical Edition, publicado pela WW Norton, que além dos textos literários traz também uma série de notas e artigos ótimos sobre o autor, o contexto histórico e a interpretação das histórias (somente em inglês); e, finalmente, o subcapítulo sobre Lewis Carroll, parte do capítulo 3, do livro A Literatura Infantil, de Nelly Novaes Coelho.

Ora ou outra, nos livros e artigos supracitados, trata-se um pouco sobre a vida de Lewis Carroll e sobre a era Vitoriana enquanto trata-se, ao mesmo tempo, sobre o Alice no País das Maravilhas e o Alice Através do Espelho, afinal são livros profundamente ligados à biografia do autor e ao momento histórico em que surgiram. Contudo, obviamente há também livros que focam mais nos aspectos biográficos e históricos do que nos literários. Dentre esses, destacarei apenas um, devido a sua qualidade: Lewis Carroll — Uma Biografia, de Morton N. Cohen, a melhor biografia já publicada sobre o autor. É excelente, vale muito a pena ler. Por fim, há um último livro interessantíssimo para se estudar os traços psicológicos de Lewis Carroll, ainda que não passe nem perto de ser uma biografia. Falo do Cartas às suas amiguinhas, uma compilação de diversas das cartas enviadas pelo escritor às suas amigas, todas crianças, tratando de assuntos diversos. Uma pena só é que nenhuma carta enviada à Alice Liddell (a Alice real, que inspirou a de papel) tenha sobrevivido ao tempo. Curioso e estranho, não?

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Artigo muito interessante publicado na revista Mundo Estranho número 123, de abril de 2012. As reflexões apresentadas são bem relevantes e desenvolvem interpretações psicológicas para alguns dos fatos narrados nos livros.

Clique nas imagens para visualizá-las em tamanho maior.

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1ª página

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2ª página

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É com grande satisfação, contentamento e orgulho que compartilho com vocês, leitores, mais uma monografia minha sobre as Alices, dessa vez abordando questões concernentes à área de educação – a outra monografia, sobre as Alices e tradução literária, também já foi postada aqui no blogue. Sem mais, espero que gostem:

RESUMO

O presente estudo visa analisar literariamente alguns dos símbolos existentes nos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898), a fim de propor como se trabalhar as obras supracitadas com fins didáticos, focando especificamente na docência de aulas de Língua Portuguesa para alunos da 8ª série (9º ano) do Ensino Fundamental.
Ao longo deste trabalho, será abordado como se deram o surgimento das atividades de escrita e de leitura e seu ensino em diferentes épocas; tratar-se-á o que os principais documentos brasileiros sobre educação defendem quanto ao ensino de Língua Portuguesa nas escolas; serão expostas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas carrollianas; dados sobre a vida de Lewis Carroll e sobre sua psicologia estarão evidenciados; os dois livros em questão terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são e para que o docente aqui encontre uma espécie de miniguia de leitura das histórias; e, por fim, será apresentada a proposta didática, que objetiva a introdução dos alunos aos estudos literários de maneira que lhes sejam estimulados o gosto e o prazer pela leitura.

Palavras-chave: Educação, docência, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONCALVES, Higor. Entrando na toca do Coelho

Arte por Su Blackwell

Arte por Su Blackwell

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Apesar de o ensino de literatura só se iniciar de fato no Ensino Médio, o uso de textos literários em aulas ministradas para o Ensino Fundamental é não só recomendado como necessário para o desenvolvimento cognitivo dos educandos. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, é importante incluir na educação textos de grande qualidade no que diz respeito à interpretação e à produção de um discurso a fim de fazer o aluno passar do leitor de “textos facilitados (infantis ou infanto-juvenis) para o leitor de textos de complexidade real, tal como circulam socialmente na literatura e nos jornais (…)”. (PCN, 2000, p.70) Defendendo também que um dos objetivos do ensino em Língua Portuguesa é estimular o “interesse pela literatura, considerando-a forma de expressão da cultura e do povo (…)” (ibidem, p.64), o documento aconselha que no Ensino Fundamental deve-se fazer o uso de literatura principalmente em práticas de leitura, atividade na qual “(…) o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem.” (ibidem, p.69)

Com relação ao uso de Alice no País das Maravilhas e de Alice Através do Espelho em sala de aula, é interessante notar que tratam-se de obras muito peculiares quanto ao seu potencial didático. Foram livros escritos originalmente para crianças, as quais até hoje ainda encontram nos fatos narrados divertimento e uma forma de amenizar os acontecimentos do dia-a-dia infantil, tornando-o mais fácil de se tolerar. Mas também são livros complexos que encantam até os adultos, sendo objetos de estudo e de análises diversas (e incrivelmente variadas) desde há muito. Assim, são textos que podem ser usados desde os primeiros anos de vida escolar, com os intuitos de ensinar a ler, entreter e/ou de estimular nos discentes o interesse pela leitura (e para esses jovens leitores as ilustrações que complementam as histórias, sejam os desenhos clássicos de Tenniel ou os de outro artista, exercem papel fundamental[1]), como também são livros que podem facilmente integrar a bibliografia de cursos de graduação e pós-graduação.

Obviamente, a metodologia deverá se adaptar a cada faixa etária para ser o mais efetiva possível, o que implica dizer que não só será diferente aquilo que o professor ensinará (no tocante a informações e profundidade de análise), mas também o como ele ensinará. Na presente seção, apresentar-se-á especificamente uma proposta de como as Alices podem ser utilizadas em aulas de Língua Portuguesa para alunos da 8ª série (9º ano) do Ensino Fundamental de forma a introduzi-los aos estudos literários de uma maneira lúdica, desenvolvendo-lhes o gosto pela leitura e pela produção de textos.

Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho são livros de forte potencial imagético. São muitos os ilustradores que, aproveitando-se dessa peculiaridade, dedicaram-se a ilustrar as histórias com sua arte, ou mesmo os diretores que transpuseram as aventuras de Alice para o cinema. Assim, uma atividade interessante de se trabalhar é propor aos discentes, após um estudo da(s) obra(s), que transformem um dos livros (ou os dois, se assim o docente preferir) em uma história em quadrinhos. É essa a premissa diferencial da proposta que será apresentada em detalhes a seguir.

Após a conclusão da leitura de um dos livros, ou dos dois, por parte dos alunos (as histórias são independentes uma da outra, portanto podem ser lidas em qualquer ordem), o professor deve, inicialmente, discutir com os discentes sobre o que eles acharam daquilo que leram e abordar um pouco da biografia do escritor, Lewis Carroll. Em seguida, deve-se analisar alguns dos aspectos literários presentes; o docente deve analisar o que achar mais adequado e da forma que achar mais eficiente para cada sala, haja vista que, ainda que a proposta aqui desenvolvida seja para turmas de 8ª série, cada turma tem uma especificidade, e assim uma estratégia que funcione bem em uma pode não dar bons resultados em outra. O importante é demonstrar aos alunos que há toda uma construção de sentido por trás do nonsense das Alices e explicitar que isso se dá graças à maneira que a narrativa foi escrita. É forçoso salientar em sala de aula que em literatura a qualidade artística de um texto não está relacionada com seu tema, mas sim com a forma com que o tema é desenvolvido: não é uma questão de “o que” se fala, mas sim de “como” se fala; é a maneira especial com que um texto é trabalhado por seu autor que faz esse texto se tornar um objeto polissêmico, consequentemente artístico, e portanto literatura. É também essencial expor aos alunos (ainda que pareça óbvio à primeira vista) que cada livro tem uma proposta diferente: há aqueles cujo objetivo principal é entreter o leitor e que, sendo assim, focam mais no enredo do que em desenvolver polissemia e níveis mais profundos de significação; são os livros classificados como literatura de entretenimento (ou literatura de massa) e que, de um modo geral, vêm a ser as narrativas best-sellers. E há aqueles outros livros que visam fazer uso da palavra como matéria-prima artística, aqueles cujo(s) texto(s) mais esconde(m) do que diz(em) (emprega-se a possibilidade do plural por levar-se em conta não só romances, mas também livros de poesias, de contos e afins, compostos por várias histórias); chamados de alta literatura, são textos que desestabilizam o leitor, provocam-no e dele exigem atenção, dedicação e investigação minuciosa para serem interpretados, senão na sua completude, tarefa impossível, ao menos de forma satisfatória à guisa de exercício mental, experiência estética e satisfação de prazer estético.

É claro que não se pode encarar “literatura de entretenimento” e “alta literatura” como dois polos, nem que toda ficção encaixe-se perfeitamente ou em um ou em outro. As coisas não são tão simples assim, afinal na prática tudo se mistura. Há, dentre outras possibilidades, literatura de entretenimento que com o tempo passa a ser encarada como alta literatura e alta literatura que entretém (como é o caso das próprias Alices), bem como textos que são bons esteticamente justamente por serem maçantes (no caso, por exemplo, de uma narrativa sobre a vida enfadonha de um casal, em que o modo maçante de narrar causa uma isomorfia entre forma e conteúdo). Mas enfim, para fins didáticos, separar a literatura em dois eixos facilita o entendimento dos discentes e contribui para que os educandos, nos próximos anos, entendam melhor do que se tratam os livros clássicos que lerão e saibam como encará-los.

Façamos uma rápida digressão, importante para uma reflexão acerca do sistema de ensino brasileiro. Ao entrarem no Ensino Médio, os alunos já são expostos desde o início à alta literatura, estudando ao longo de sua formação autores como D. Diniz, Gil Vicente, Camões, Gregório de Matos, José de Alencar, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Rubem Braga e outros tantos. Todos escreveram obras de grande valor (estético, sintático, lexical…) não por acaso tidas como clássicas e importantes, sendo, portanto, estudadas na escola. Todavia, a grande maioria dos alunos ainda não tem um senso estético suficientemente desenvolvido para interpretá-las adequadamente e consequentemente apreciá-las, e isso por conta da própria maneira como o ensino se dá nas escolas, o que prejudica o aprendizado e o estímulo do gosto pela leitura.

O discente, quando está aprendendo a ler na Educação Infantil, é exposto pela escola a gêneros textuais adequados, isso é, a obras que têm mais imagens do que texto escrito e/ou a obras que ressaltam o aspecto sonoro da língua (trabalham mais o significante do que o significado), de forma a estimular a manipulação lúdica dos sons por parte da criança, que então se sentirá à vontade para brincar com a língua tal qual essa fosse um brinquedo. Dessa maneira, possibilita-se que a criança tenha uma melhor aquisição da linguagem.

O Pequeno PríncipeDepois, ao longo do Ensino Fundamental, são trabalhados em sala livros paradidáticos apropriados a cada faixa etária: quadrinhos, contos de fadas, fábulas… enfim, literatura infantojuvenil que estimula nos alunos a vontade de ler. Basta reparar em como os jovens, e outros tantos não tão jovens assim, gostam, por exemplo, de livros como O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, do próprio Alice no País das Maravilhas, dos contos de fadas de autores como Charles Perrault, irmãos Grimm e Hans Christian Andersen e de séries como A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa, Harry Potter, de J. K. Rowling, e Crepúsculo, de Stephenie Meyer.

Contudo, no Ensino Médio, há uma ruptura, e os alunos se veem forçados a, repentinamente, terem que ler e estudar literatura altamente artística. Quer dizer, todo um processo é interrompido, e assim muitas pessoas concluem a escola não gostando de literatura, encarando o ato de ler como uma obrigação maçante e se afastando dos livros. Os professores, por sua vez, não têm como não trabalhar os grandes escritores, pois as obras que serão exigidas em vestibulares são as clássicas, e é o desempenho dos alunos nesses vestibulares que decidirá qual futuro terão esses estudantes. É lamentável que haja tal ruptura, pois não fosse ela talvez os educandos tivessem mais tempo para amadurecer cognitivamente e adquirir conhecimento de mundo com leituras mais adequadas ao seu estágio de desenvolvimento. Assim, futuramente, quiçá se interessassem em conhecer os grandes nomes da literatura e suas obras por conta própria, e então, melhor preparados, conseguissem apreciar as leituras.

Levando-se em conta o que foi dito anteriormente sobre como os ensinos da leitura e da literatura se dão e retornando à questão do uso das Alices com fins didáticos, parece-nos interessante aproveitar a 8ª série (9º ano), último ano do Ensino Fundamental, para se preparar o alunado de forma prazerosa para os estudos literários mais profundos que se seguirão nos próximos anos de formação, lançando mão, para tanto, de livros que são ao mesmo tempo divertidos e, em termos técnicos, duas das melhores obras da literatura mundial.

O docente deve, após a introdução supracitada ao mundo literário em que aborda o que é literatura e explica o que é literatura de entretenimento e alta literatura, ensinar a estratégia de leitura que deve ser empregada no caso de textos literários: o leitor deve, de preferência, ler primeiramente o texto todo, do começo ao fim, para em seguida retornar ao seu início e relê-lo com atenção, agora tendo em mente uma perspectiva global que permite detectar pistas textuais fundamentais para uma melhor interpretação. Interpretar um texto literário implica releituras cuidadosas, pesquisa e esforço mental. Estabelecendo uma analogia, o aluno precisará, nesse momento, se dedicar ao texto da mesma forma com que se dedica a resolver um problema matemático. E com isso chegamos a mais um ponto fundamental que o professor deve evidenciar para os alunos: as interpretações depreendidas precisam poder ser confirmadas pelo próprio texto para serem válidas. Assim, só se pode, por exemplo, afirmar que o Gato de Cheshire é um alter ego da Alice em Alice no País das Maravilhas se for possível comprovar textualmente esse argumento. Um mesmo texto literário abre margem a interpretações variadas, certamente, entretanto é necessário ter cuidado para não digredir.

Explicações e análises literárias feitas, o docente então proporá aos alunos que eles próprios ilustrem as aventuras da Alice em forma de história em quadrinhos. A sala deverá ser dividida em 12 grupos, caso se esteja trabalhando um dos livros, ou em 24 grupos, caso se esteja trabalhando os dois (a quantidade de alunos por grupo fica a cargo do professor). Cada grupo ficará responsável por ilustrar um capítulo da narrativa, de forma que ao fim do projeto, a sala, em um esforço em conjunto, terá em mãos um livro produzido pelos seus próprios integrantes com a ajuda do professor. Os alunos geralmente apreciam bastante atividades lúdicas como essa, e assim se empenham em produzir algo de que irão se orgulhar depois, principalmente no caso de propostas como a sugerida, que colocam toda a sala unida por um mesmo objetivo.

Há sítios na internet (sugerimos alguns endereços nas referências bibliográficas) onde pode-se criar quadrinhos virtualmente de forma simples e descomplicada. Caso os alunos tenham fácil acesso a computadores e a internet, o que é bem provável visto que as novas tecnologias se fazem cada vez mais presentes no dia-a-dia de todos, recomenda-se que os quadrinhos sejam produzidos digitalmente, e não em papel. Primeiramente porque vivemos em uma época na qual tecnologias como a televisão e a internet têm mais importância na vida dos discentes do Ensino Fundamental do que a própria sala de aula, consequentemente há um novo público leitor e novas maneiras de se ler, e assim uma metodologia que visa ser efetiva precisa se adaptar a essa realidade. E depois porque um texto digital permite maior difusão do que um texto impresso: uma vez que os trabalhos estejam prontos, o docente pode, até mesmo em conjunto com os próprios educandos, montar um blogue para a postagem on-line do produto final, que agora poderá ser acessado por qualquer aluno da escola (e de outras escolas), por familiares dos alunos, enfim, por todos que tenham interesse. Com isso, um problema muito presente na educação é contornado: o de se “escrever para ninguém”. É muito comum, quando um docente pede à sala para elaborar, por exemplo, uma redação sobre um tema qualquer, que os alunos sintam-se desmotivados, já que, afinal, encararão a tarefa apenas como sendo mais um texto a ser escrito para avaliação do professor. Isso é, o texto que deverão escrever não será produzido tendo-se em mente um público-alvo, e isso porque o público-alvo simplesmente não existe. O texto não será lido por outras pessoas. O texto será lido somente pelo professor, que é a pessoa cuja obrigação é corrigir e apontar problemas de escrita que porventura existam. Isso não só desestimula como empobrece a experiência da escrita.

Nada impede, contudo, que se organize um livro físico com os desenhos dos discentes para o caso de não haver acesso a computadores. O que importa é estimular os alunos, para que eles sintam o ímpeto e o prazer não só de ler como também de produzir textos, afinal escrita e leitura são atividades indissociáveis, que caminham juntas tanto no ensino como na vida e essenciais para um bom desenvolvimento cognitivo. É forçoso trabalhar literatura de uma forma interessante em sala de aula e desenvolver atividades que façam os alunos se envolver e se interessar pelos conteúdos, o que, apesar de não ser nada fácil, é extremamente recompensador para o professor. Ver um aluno apreendendo aquilo que é ensinado, evoluindo com seus ensinamentos e demonstrando interesse nas suas aulas é a realização moral de todo educador.


[1] Conforme o próprio Carroll salienta logo no início do Alice no País das Maravilhas: “(…) uma ou duas vezes [Alice] espiara furtivamente o livro que ela [a irmã] estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, “e de que serve um livro” – pensou Alice – “sem figuras nem diálogos?”” (CARROLL, 1980, p.41)

Referências bibliográficas:

BRASIL. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. 2. ed. Rio de Janeiro: DP & A Editora, 2000.

CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no país das maravilhas e Através do espelho e o que Alice encontrou lá. Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Summus, 1980.

SITES PARA A CRIAÇÃO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:

Pixton (em português)

ToonDoo (em inglês)

Make Beliefs Comix (em inglês)

Strip Generator (em inglês)

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Conforme exposto na seção “Leia-me” aqui do blogue, eu vinha já há algum tempo estudando as Alices, lendo sobre a vida do Lewis Carroll e pesquisando o contexto da Era Vitoriana a fim de elaborar uma monografia que relacionasse esses assuntos à área de tradução. À medida que os textos por mim preparados iam ficando prontos, eu os postava aqui para vocês, leitores, que sempre me motivaram a seguir em frente. Portanto, antes de mais nada gostaria de expressar aqui neste espaço meus sinceros agradecimentos a todos que vêm acompanhando o The Bloggerwocky e tecendo comentários sobre o site no Facebook, Orkut, Twitter ou aqui mesmo no blogue.

Agradecimentos feitos, é hora de irmos direto ao ponto principal deste post: no fim do ano passado concluí e defendi minha monografia, a qual foi muito elogiada e, para minha grande alegria, recebeu nota máxima por parte da banca examinadora. É então com muita satisfação que venho compartilhar esse trabalho com vocês. Espero que gostem e comentem:

RESUMO

Traduzir literatura é uma tarefa árdua, principalmente no caso de textos altamente polissêmicos. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo explicitar algumas das dificuldades e problemas com que se depara um tradutor literário frente aos desafios de uma obra altamente artística. Para tanto foram escolhidos os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898): duas histórias das mais conhecidas e traduzidas no mundo, que por serem carregadas de referências à era vitoriana, jogos sonoros e poemas, trazem sempre dificuldades quando de sua transposição para outras línguas.
Ao longo deste trabalho, esses dois livros terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são, serão apresentadas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas, dados sobre a vida do autor e sobre sua psicologia estarão evidenciados e por fim encontrar-se-á uma sugestão de tradução para o capítulo 4 do Alice no País das Maravilhas, seguida de comentários feitos a partir do ponto de vista tradutório, de forma a ilustrar como toda a teorização e estudo da obra funcionam na prática.

Palavras-chave: Tradução literária, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONÇALVES, Higor B. Um sonho lúcido…

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Durante o século XIX, os contos de fadas foram fortemente criticados por não ensinarem nada específico e por não conterem valores cristãos, sendo malvista a própria presença do elemento fantástico nas histórias. Acreditava-se que os livros infantis deveriam ter conteúdo educacional, e assim, em 1840, os contos clássicos passam a ser reformulados e refinados de acordo com a nova postura moralizante. Nas décadas de 1840 e 1850, além da reescrita, muitos contos de fadas novos são criados, entretanto tratam-se de histórias fracas e sem originalidade.

E é nesse contexto que, em 1865, o livro Alice no País das Maravilhas é lançado, seguido seis anos depois pelo Alice Através do Espelho. Contudo, diferentemente das outras várias histórias infantis escritas à época, a devoção, o moralismo e o cunho didático não se fazem presentes nas obras de Carroll. Ainda assim, as Alices foram muito bem recebidas pela crítica e pelo público, sobreviveram ao tempo e suas aventuras são hoje das mais traduzidas e lidas no mundo. Por quê?

Para alguns, especialmente para as crianças, o que encanta nas aventuras de Alice é o fantástico (as mudanças de tamanho, os animais que falam, os acontecimentos imprevisíveis…), e para outros, é a lógica usada por Carroll para desenvolver as idéias, incluindo aí a habilidade do autor na escolha das palavras para criar, dentre outros, piadas, ironias e sensações diversas. Mas talvez o que mais faz com que os leitores se identifiquem é a forma como o nonsense é colocado em oposição à rotina diária e enfadonha da escola.

Seja no País das Maravilhas ou no mundo do outro lado do espelho, Alice é constantemente lembrada de coisas que aprendeu, mas sempre de maneira distorcida, o que faz com que tais coisas fiquem sem sentido. Por exemplo, os versos moralizantes que as crianças tinham que decorar nas escolas são ironizados na forma de paródias; fatos históricos sobre os anglo-saxões são repetidos pelo Rato como as coisas mais “secas” que ele conhece; a personagem Duquesa, que tem o hábito de encontrar uma moral irrelevante e absurda em tudo, é um escárnio contra se querer moralizar todas as histórias infantis; as matérias que a Tartaruga Falsa diz ter estudado na escola são uma crítica clara ao sistema de ensino; o final do Através do Espelho, em que Alice sacode a Rainha Vermelha, a essência concentrada de toda governanta (ela gosta de dar a todo momento instruções rápidas de etiqueta), também é bastante sugestivo; dentre outras muitas passagens satíricas.

Assim, pode-se ver como os dois livros de Alice vêm numa direção contrária às tendências moralizantes da época. Tratando tudo com bom humor e nonsense, Carroll reduz as dificuldades do dia-a-dia infantil de algo assustador para uma realidade tolerável. Ainda que Alice seja questionada e maltratada por outros personagens, o controle final é dela, e com isso o leitor se identifica e percebe que não é apenas um sujeito passivo dentro do mundo em que vive.

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Os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871) são, desde o século XIX, quando foram escritos, não apenas clássicos da literatura inglesa, mas clássicos da literatura universal. Há gerações eles encantam crianças, jovens e adultos, e assim Alice sai do simples domínio do papel impresso para povoar o imaginário de todos que passam a conhecer suas aventuras, tornando-se a personagem um arquétipo do feminismo e da pureza, da sagacidade, da curiosidade e do espírito aventureiro infantis. Isso acontece de uma forma tal que atualmente grande número de releituras (muito variadas entre si) da personagem e das situações narradas nos livros aparecem em qualquer parte do mundo sob a forma de ilustrações, filmes, jogos, músicas, animações ou mesmo inseridas em outros livros, não necessariamente literários.

Lewis Carroll

Lewis Carroll

Todo esse sucesso decorre da originalidade e da destreza com que o autor, Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, consegue criar histórias polissêmicas e de consequente valor literário. Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho são independentes entre si, porém podem ser vistas como complementares por compartilharem muitos elementos e terem mais ou menos a mesma essência.

Convém salientar que a personagem Alice foi inspirada em uma menininha real, chamada Alice Pleasance Liddell[1]. Diferentemente do que as pessoas influenciadas pela famosa animação de Walt Disney[2] e pelas ilustrações de Tenniel possam imaginar, a Alice de carne e osso, filha do deão do Christ Church, tinha cabelo escuro. Foi para ela que Carroll criou o Alice no País das Maravilhas. É interessante ressaltar que ainda que Dodgson gostasse muito da menina e tenha tentado homenageá-la, o próprio nome “Alice” nas histórias não deve ser interpretado como um mero acaso: derivado do grego “Alétheia” (“ἀλήθεια”), ele significa “Verdade”, reforçando a interpretação mais ampla dos livros carrollianos para além dos fatos narrados e abrindo todo um escopo de possibilidade de entendimento dos diversos enigmas que abundam nas duas obras.

A ideia para o primeiro livro, aliás, surgiu durante um passeio de barco a 4 de julho de 1962, em que Alice e suas irmãs pediram para Dodgson, um amigo da família, lhes contar uma história. Ele então inventou um embrião oral da narrativa, o qual por sua vez transformou-se no Alice’s Adventures under Ground, um livro redigido à mão (e já com ilustrações, feitas pelo próprio Dodgson) que o autor deu à menina como presente de Natal. Algum tempo depois o escritor decide publicar a história, mexe consideravelmente no texto e entra em contato com um ilustrador profissional famoso da época, chamado John Tenniel, para fazer as ilustrações. Essa publicação é o Alice no País das Maravilhas tal como o conhecemos, e a primeira edição foi bancada pelo próprio Dodgson. Ele sempre se preocupou com qualidade, por isso cuidava para que o acabamento das edições fosse o melhor possível. O sucesso foi enorme já no lançamento, sendo o livro mais vendido, e de lá para cá nunca mais deixou de ser reeditado.

Dodgson é uma figura bastante enigmática. Da mesma forma como assinava seus trabalhos literários com um pseudônimo, há críticas que defendem que sua própria personalidade também era dupla: de um lado haveria o lado fortemente racional do Dodgson real, um matemático, professor, religioso, homem apegado à normalidade da época e autor de livros sobre lógica e matemática; e em oposição, haveria um lado sonhador, o lado Carroll, aquele do mundo interior que se abre ao fantástico e que se manifestava nos trabalhos literários.

Também, até hoje se discute se ele era ou não pedófilo, já que só gostava de ficar na companhia de menininhas e não se sentia muito confortável com garotos ou adultos. Eram muitas as suas amiguinhas, e ele gostava de lhes escrever cartas peculiares, com desenhos ao invés de palavras. Várias dessas cartas foram preservadas até hoje, com exceção daquelas escritas para Alice, as quais desapareceram todas. Se essa atração por garotas era de cunho sexual ou não só temos como especular, pois não há fatos concretos que provem o que quer que seja. Ainda quanto a essa polêmica, é curioso notar que Dodgson mantinha um diário, mas as páginas que podiam ter alguma informação sobre sua relação com as meninas, bem como as páginas que em teoria continham o motivo de os laços com a família da Alice terem sido cortados, foram misteriosamente arrancadas após sua morte, talvez por algum membro de sua família. E isso levanta algumas suspeitas, pois o que é que poderia haver ali para que fossem arrancadas? Será que era algo comprometedor? Que fim teriam levado as cartas escritas para Alice e o que haveria nelas?

Dodgson tinha afeição pela lógica, por escrever e por meninas, e tinha como hobby a fotografia (à época uma novidade). Gostava de fotografar suas amiguinhas, fazendo por vezes até nus, mas tudo sempre com o consentimento das famílias e das próprias meninas. Esses nus, vale frisar, não têm nada de erótico, são apenas ensaios artísticos. E aí destaca-se outro traço importante da personalidade de Carroll: ele sempre foi muito nostálgico e inclusive escreveu poemas dizendo que gostaria de voltar a ser criança e que trocaria tudo por ser jovem de novo. E o que é que há de mais nostálgico do que a própria arte da fotografia? Fotografar nada mais é do que “congelar” alguma coisa em um determinado espaço e tempo. Dessa maneira, Carroll poderia ter as amiguinhas para sempre imutáveis. Já que é impossível não crescer, ao menos a juventude e a inocência delas estariam para sempre preservadas nos retratos, reificadas, uma réplica vulgar da essência. Meninas presas porém ausentes.

Outra peculiaridade interessante é que Carroll tinha uma coleção de bonecas, que alguns dizem servir para “atrair” as meninas. Mas se isso for analisado com mais calma, pode-se perceber que, psicologicamente falando, talvez o que aconteça nesse caso seja o mesmo que acontece no da fotografia, isto é, uma maneira consciente ou não que o autor encontrou de amenizar a nostalgia que havia dentro de si. Basta parar para pensar na semelhança entre bonecas e a imagem feminina (analogia que aliás é feita desde a antiguidade). Dodgson talvez tivesse o sonho de possuir uma menininha que nunca envelhecesse. A dedicação em escrever histórias nonsense para crianças, aliás, talvez tivesse como fim estabelecer um contato com o mundo infantil, que ele tanto admirava.

Com o tempo, a nostalgia de Carroll cresce e isso se reflete nas suas obras literárias. Por exemplo, ao compararmos o Alice no País das Maravilhas com o Alice Através do Espelho, notaremos que no segundo, escrito seis anos mais tarde, Alice sofre um tipo de crueldade sutil que diverge do tom do primeiro livro e que a personagem também passa por acontecimentos melancólicos impensáveis no contexto de sua primeira aventura, como por exemplo no capítulo cinco:

Assim deixou-se o barco seguir pelo ribeirão ao seu bel-prazer, até que deslizou suavemente para o meio dos juncos oscilantes. Então as manguinhas foram cuidadosamente arregaçadas, e os bracinhos mergulhados até os cotovelos para pegar os juncos bem mais abaixo antes de quebrá-los… e por algum tempo a Ovelha e seu tricô sumiram da cabeça de Alice, enquanto ela se debruçava sobre a borda do barco, só as pontas dos cabelos emaranhados mergulhando na água… e, com olhos faiscantes e sôfregos, apanhava feixe após feixe dos encantadores juncos perfumados.

“Espero que o barco não vire!” disse para si mesma. “Oh, que lindo é aquele. Só que não consegui alcançá-lo.” E certamente parecia um pouco enervante (“quase como se fosse de propósito”, ela pensou) que, embora conseguisse colher quantidades de lindos juncos à medida que o bote deslizava, houvesse sempre um mais lindo que não podia alcançar.

“Os mais bonitos estão sempre mais longe!” disse por fim, com um suspiro ante a teimosia dos juncos em crescerem tão afastados, enquanto, faces afogueadas e cabelo e mãos pingando, tentava voltar a seu lugar e começava a arrumar seus recém-descobertos tesouros.

Que lhe importava naquele momento que os juncos tivessem começado a murchar e a perder seu perfume e beleza, desde o momento em que os colhera? Até juncos perfumados reais, como você sabe, duram só por pouco tempo… e esses, sendo juncos de sonho, derretiam quase como neve enquanto repousavam em feixes aos pés dela… mas Alice mal percebeu isso, tantas outras coisas curiosas tinha para pensar. (CARROLL, 2002, p.58)

Seriam os juncos uma metáfora para a efemeridade da beleza das crianças de que Carroll gostava, ou mais além, para a fugacidade de todo tipo de beleza?

A vida de Dodgson sempre foi envolta em muito mistério. Foram vários os biógrafos e comentadores de suas obras que se propuseram a tentar desvendar os inúmeros enigmas e lacunas que envolvem criador e obras. De uma forma ou de outra, é disso que é feita a boa literatura: de releituras sempre novas e atualizadas e de, por vezes, dados biográficos que instigam a curiosidade das mentes curiosas.

 


[1] É interessante atentar na simetria existente entre os nomes “Alice Liddell” e “Lewis Carroll”. O número de letras é o mesmo e a relação consoante-vogal também chama a atenção: no primeiro nome, onde em um há consoante, no outro há vogal; e no sobrenome, a posição das consoantes e das vogais é a mesma.

[2] Essa versão de Walt Disney é na verdade uma mistura das histórias dos dois livros, apesar de levar o título “Alice no País das Maravilhas”.

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