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Posts Tagged ‘Gato de Cheshire’

Artigo muito interessante publicado na revista Mundo Estranho número 123, de abril de 2012. As reflexões apresentadas são bem relevantes e desenvolvem interpretações psicológicas para alguns dos fatos narrados nos livros.

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É com grande satisfação, contentamento e orgulho que compartilho com vocês, leitores, mais uma monografia minha sobre as Alices, dessa vez abordando questões concernentes à área de educação – a outra monografia, sobre as Alices e tradução literária, também já foi postada aqui no blogue. Sem mais, espero que gostem:

RESUMO

O presente estudo visa analisar literariamente alguns dos símbolos existentes nos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898), a fim de propor como se trabalhar as obras supracitadas com fins didáticos, focando especificamente na docência de aulas de Língua Portuguesa para alunos da 8ª série (9º ano) do Ensino Fundamental.
Ao longo deste trabalho, será abordado como se deram o surgimento das atividades de escrita e de leitura e seu ensino em diferentes épocas; tratar-se-á o que os principais documentos brasileiros sobre educação defendem quanto ao ensino de Língua Portuguesa nas escolas; serão expostas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas carrollianas; dados sobre a vida de Lewis Carroll e sobre sua psicologia estarão evidenciados; os dois livros em questão terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são e para que o docente aqui encontre uma espécie de miniguia de leitura das histórias; e, por fim, será apresentada a proposta didática, que objetiva a introdução dos alunos aos estudos literários de maneira que lhes sejam estimulados o gosto e o prazer pela leitura.

Palavras-chave: Educação, docência, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONCALVES, Higor. Entrando na toca do Coelho

Arte por Su Blackwell

Arte por Su Blackwell

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Conforme exposto na seção “Leia-me” aqui do blogue, eu vinha já há algum tempo estudando as Alices, lendo sobre a vida do Lewis Carroll e pesquisando o contexto da Era Vitoriana a fim de elaborar uma monografia que relacionasse esses assuntos à área de tradução. À medida que os textos por mim preparados iam ficando prontos, eu os postava aqui para vocês, leitores, que sempre me motivaram a seguir em frente. Portanto, antes de mais nada gostaria de expressar aqui neste espaço meus sinceros agradecimentos a todos que vêm acompanhando o The Bloggerwocky e tecendo comentários sobre o site no Facebook, Orkut, Twitter ou aqui mesmo no blogue.

Agradecimentos feitos, é hora de irmos direto ao ponto principal deste post: no fim do ano passado concluí e defendi minha monografia, a qual foi muito elogiada e, para minha grande alegria, recebeu nota máxima por parte da banca examinadora. É então com muita satisfação que venho compartilhar esse trabalho com vocês. Espero que gostem e comentem:

RESUMO

Traduzir literatura é uma tarefa árdua, principalmente no caso de textos altamente polissêmicos. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo explicitar algumas das dificuldades e problemas com que se depara um tradutor literário frente aos desafios de uma obra altamente artística. Para tanto foram escolhidos os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898): duas histórias das mais conhecidas e traduzidas no mundo, que por serem carregadas de referências à era vitoriana, jogos sonoros e poemas, trazem sempre dificuldades quando de sua transposição para outras línguas.
Ao longo deste trabalho, esses dois livros terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são, serão apresentadas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas, dados sobre a vida do autor e sobre sua psicologia estarão evidenciados e por fim encontrar-se-á uma sugestão de tradução para o capítulo 4 do Alice no País das Maravilhas, seguida de comentários feitos a partir do ponto de vista tradutório, de forma a ilustrar como toda a teorização e estudo da obra funcionam na prática.

Palavras-chave: Tradução literária, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONÇALVES, Higor B. Um sonho lúcido…

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Capa

Material encontrado no blogue da Sociedade Lewis Carroll do Brasil (clique nas imagens para ampliá-las).

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O Gato de Cheshire

"O Gato de Cheshire", pintura de Carol Burgo

Alice encontra ao longo de sua jornada pelo País das Maravilhas uma série de animais antropomórficos, os quais assumem um comportamento ambivalente: como salienta Empson[1], quando a garota está pequena esses seres se mostram amistosos, ainda que infantilmente francos, e quando Alice está grande (sugerindo adulta) eles são sempre contrários a ela e/ou contestados por ela. O modo como tais animais pensam e agem e o tom professoral em que conversam e dão ordens visam esconder a sua infantilidade intrínseca, criando no leitor uma falsa impressão de que eles são os adultos enquanto Alice é a criança ingênua.

Contudo, entre esses animais há um que assume um etos diferenciado e proeminente, e será o único personagem com quem Alice criará um vínculo mais profundo, a saber, o Gato de Cheshire[2]. Apesar de ter “garras muito longas e um número enorme de dentes”[3], Alice sente-se bastante à vontade na presença do Gato, chegando inclusive a chamá-lo de amigo[4]:

“Com quem está falando?” indagou o Rei, aproximando-se de Alice e olhando para a cabeça do Gato com muita curiosidade.

“É um amigo meu… um Gato de Cheshire”, disse Alice. “Permita-me que lhe apresente.”[5]

Mas por que é justamente com ele que Alice mais se identifica? E por que ele é tão ponderado? Por que ele aparece e desaparece? Por que Cheshire? Por que ele está sempre rindo? Por que o sorriso dele é tão sugestivo? Por quê?

Alice and Cheshire Cat

"Alice and Cheshire Cat", desenho de *mashi

O País das Maravilhas é um sonho, o que fica claro no último capítulo. É possível então entender cada um dos personagens nonsense como manifestações inconscientes tanto de características da personalidade de Alice como de elementos com que ela convive na sociedade vitoriana e que influenciam seu Eu. Assim, o Gato de Cheshire poderia muito bem ser uma representação onírica da gata Dinah, o que já explica em partes a aproximação dos dois. Também, o Gato parece ser a única figura além da própria Alice a englobar os outros personagens, sendo uma espécie de alter ego mais sábio da protagonista; mais sábio justamente por ele ser ciente de sua própria loucura, peculiaridade importante que o diferencia de todos na história. E ao dizer a Alice que ela está no País das Maravilhas por ser louca, o Gato talvez esteja respondendo também à pergunta “Quem sou eu?”[6], central na obra, ainda que a garota não possa aceitar ser insana e permaneça num silêncio sugestivo quanto a isso.

O Gato parece partilhar do mesmo tipo de inteligência e do mesmo espírito independente que Alice, além de estar em perfeito equilíbrio com as fúrias interior (inerente a ele) e exterior (imposta pelo meio). Tanto gato como criança podem alhear-se do mundo e encontrar abrigo em um microcosmo interno e particular, o que é simbolizado de um lado pela habilidade de aparecer e desaparecer e do outro lado pelo próprio País das Maravilhas, que nada mais é do que a psique de Alice. Empson analisa o tópico da seguinte maneira:

O célebre gato é um símbolo imediato desse ideal de distanciamento intelectual; todos os gatos são distanciados, e desde que este sorri, é um observador divertido. Pode desaparecer, porque pode alhear-se do seu meio e refugiar-se num mundo interior mais interessante; aparece somente como cabeça, porque é quase uma inteligência desencarnada, e apenas como um sorriso, porque é capaz de impor uma atmosfera sem estar presente. (…) é indecapitável, porque sua alma não pode ser assassinada (…)[7]

Ademais, conforme aponta Martin Gardner, a expressão idiomática inglesa “sorrir como um gato de Cheshire” [“grin like a Cheshire cat”], usada para designar alguém que mostra os dentes e a gengiva quando ri, era corrente no tempo de Carroll. Segundo o comentarista, há duas principais hipóteses sobre sua origem: uma delas diz respeito ao fato de os queijos de Cheshire (o condado onde Carroll nasceu) serem moldados, à época, na forma de gatos sorrindo, criando assim uma fantasia de que o gato de queijo poderia comer o rato que iria comer o queijo; a outra hipótese advém da pintura malfeita das tabuletas de hospedarias de Cheshire, em que os leões rugindo mais pareciam gatos sorridentes (o leão é o animal símbolo da Inglaterra). Tendo em mente a primeira hipótese, encontramos mais uma explicação para a habilidade do Gato de desaparecer: era costume começar a comer o tal queijo zoomórfico pelo rabo até se chegar à cabeça, assim como acontece com o personagem de Carroll, que ora materializa-se apenas como uma cabeça sem corpo, e ora começa a desvanecer pelo rabo, deixando por último seu sorriso.

Convém ressaltar a semelhança desse “sorriso sem gato”, como Alice chama, com a Lua, o que também é sugestivo. De acordo com o dicionário de símbolos de Chevalier e Gheerbrant,

A Lua é um símbolo do conhecimento indireto, discursivo, progressivo, frio. A Lua, astro das noites, evoca metaforicamente a beleza e também a luz na imensidade tenebrosa. Mas, como essa luz não é mais que um reflexo da luz do Sol, a Lua é apenas o símbolo do conhecimento por reflexo, isto é, do conhecimento teórico, conceptual, racional; é nesse ponto que é ligada ao simbolismo da coruja.[8]

SorrisoIsso vai de encontro ao que foi dito sobre a inteligência do Gato, além de ter também um certo apelo carrolliano no que tange ao conhecimento racional, de que o personagem também demonstra ser dotado sobretudo quando responde a Alice (naquela célebre frase) que se ela não sabe aonde quer ir, qualquer caminho lhe servirá[9]. O verbete prossegue com uma análise vasta, da qual pode-se destacar o seguinte:

A Lua, cujo disco aparente é do mesmo tamanho do Sol, tem na astrologia um papel especialmente importante. Simboliza o princípio passivo, mas fecundo, a noite, a umidade, o subconsciente, a imaginação, o psiquismo, o sonho, a receptividade, a mulher e tudo que é instável, transitório e influenciável, por analogia com seu papel de refletor da luz solar.[10]

Oras, isso resume o que foi dito até aqui. O excerto encaixa-se perfeitamente no que expôs-se sobre inteligência infantil, sonho e inconsciente, bem como também no que diz respeito à problemática do devir, onipresente nas Alices.

Não é à toa que o Gato de Cheshire é um dos personagens mais famosos dos livros, ficando atrás provavelmente apenas da própria Alice no quesito popularidade. Apesar de aparecer relativamente pouco, trata-se de uma figura que marca o leitor, consciente e inconscientemente, e cujo mistério encanta e atrai, assim como a Lua.


[1] EMPSON, William. Alice no País das maravilhas. A criança como zagal. Tradução de José Laurênio de Melo. In: LIMA, Luiz Costa (org). Teoria da literatura em suas fontes, vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

[2] Em português também conhecido como Gato que Ri, Gato Risonho ou Gato Listrado.

[3] CARROLL, Lewis. Alice – Edição Comentada. Notas de Martin Gardner. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. 1. ed. São Paulo: Jorge Zahar Editor, 2002. p. 62.

[4] É curioso notar que em Alice Através do Espelho quem fará as vezes de amigo da Alice será o Cavaleiro Branco, personagem que, dentre outras possibilidades, pode ser lido como uma representação do próprio Carroll.

[5] CARROLL, Lewis. Alice – Edição Comentada. Notas de Martin Gardner. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. 1. ed. São Paulo: Jorge Zahar Editor, 2002. p. 84.

[6] À guisa de comparação, Alice Através do Espelho gira menos em torno dessa questão da identidade, tendo como motivo central a pergunta “De quem é o sonho?”

[7] EMPSON, William. Alice no País das maravilhas. A criança como zagal. Tradução de José Laurênio de Melo. In: LIMA, Luiz Costa (org). Teoria da literatura em suas fontes, vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 603.

[8] CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos: (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 24. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. p. 562.

[9] Essa frase do Gato, talvez a mais citada dos livros, traz uma ideia de livre-arbítrio oposta àquela de predestinação contida no Alice Através do Espelho, em que a estrutura do jogo de xadrez remete a uma mão invisível que controla o fado dos personagens-peça.

[10] CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos: (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 24. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. p. 564.

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