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Posts Tagged ‘Alice Liddell’

Alice

Deriving from Old French and Old German, related to Adelaide, Alice was a popular name in medieval England. Like most such names, by the middle of the 17th century Alice was regarded as old-fashioned and rustic, fit only for servants and the like. It had to wait until the mid-19th century love affair with the Middle Ages for its revival as a fashionable name; the novelist Charlotte M Yonge called it ‘a favourite fancy name’ in 1863. It was the name of the real middle-class child who inspired Lewis Carroll to write Alice in Wonderland, the publication of which in 1865 spread the name’s popularity.

Alicia

In about the 12th century Alice was latinised into the alternative form, Alicia, picked up again in the 18th century with the vogue for such variants.


Reference:

LANE, Maggie. Jane Austen and names. Endeavour Press Ltd., 2014.

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É comum algum leitor aqui do blogue me procurar pedindo indicações de materiais bons e confiáveis para ajudar no estudo dos livros Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, que, sabemos, podem ser um tanto herméticos para o leitor contemporâneo. Também, há aqueles outros leitores que chegam até mim buscando sugestões de textos sobre a polêmica e misteriosa biografia de Lewis Carroll. Seja por interesse acadêmico ou por pura realização pessoal, me parece que muitas pessoas têm interesse nesses tipos de materiais e, portanto, achei interessante dedicar um artigo ao assunto aqui no Bloggerwocky. Uma vez que algumas das recomendações abaixo são textos escritos originalmente em inglês, indicarei, sempre que existirem, as versões traduzidas para o português.

Primeiramente, o que é que há de mais essencial para que se possa começar a interpretar as Alices, que, vale lembrar, são textos literários? Se você, leitor, não souber muito bem o que é a linguagem literária e o que a faz especial e artística, o porquê de livros de autores como Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Manuel Bandeira, dentre outros, serem considerados clássicos, a razão dos livros de alguns autores best-seller serem malvistos pela crítica e pela academia apesar de venderem bem, o que diferencia o tipo de linguagem empregada, por exemplo, em uma notícia do tipo de linguagem presente em contos, romances, crônicas e poesias, dentre outras coisas, recomendo, antes de mais nada, a leitura do livro A Linguagem Literária, do Domício Proença Filho. É um livro curto, barato, de linguagem acessível e que trata de temas bastante fundamentais, quase sempre esquecidos durante os ciclos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, porém importantíssimos para a percepção da linguagem literária enquanto fazer artístico que lança mão da palavra como matéria-prima. Em suma, é uma leitura que recomendo não só a quem queira estudar as Alices, mas a quem se interesse por começar a estudar literatura em geral.

Agora falemos sobre a bibliografia referente ao Alice no País das Maravilhas e ao Alice Através do Espelho, especificamente. Dentre os diversos materiais de estudo já publicados a respeito, há dois que considero como, digamos, os mais essenciais: o primeiro, e mais importante, é o livro Alice — Edição Comentada (traduzido por Maria Luiza X. de A. Borges e lançado no Brasil pela editora Jorge Zahar), que além das histórias propriamente ditas traz comentários de Martin Gardner; e o segundo é o estudo A criança como zagal, escrito por William Empson (traduzido por José Laurênio de Melo e presente no volume 2 do Teoria da literatura em suas fontes). Há outras edições comentadas, em inglês, mas a qualidade do estudo de Martin Gardner é incomparável. Considero livro obrigatório àqueles que pretendam realizar um estudo acadêmico ou mais aprofundado das obras. Já o texto de William Empson, por sua vez, apresenta leituras deliciosas e muito perspicazes para vários dos símbolos presentes nas Alices.

Há ainda outros livros e artigos que recomendo a quem queira se aprofundar ainda mais: Alice no País das Maravilhas e a Filosofia, organizado por William Irwin e Richard Brian Davis, e que, apesar de algumas vezes me passar a impressão de ser um bocado caça-níqueis, não deixa de apresentar reflexões interessantes, além de usar uma linguagem bem acessível; Rima e Solução: A Poesia Nonsense de Lewis Carroll e Edward Lear, de Myriam Ávila, um livro mais denso; Tradução e Adaptação: Encruzilhadas da textualidade em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e Kim, de Rudyard Kipling, de Lauro Maia Amorim, excelente para os que querem estudar a questão da tradução das Alices; o prefácio de Jean Gattégno para uma das traduções francesas de Alice, o qual contém algumas informações bastante básicas sobre o contexto de escritura das Alices (infelizmente não foi traduzido para o português); Alice in Wonderland — A Norton Critical Edition, publicado pela WW Norton, que além dos textos literários traz também uma série de notas e artigos ótimos sobre o autor, o contexto histórico e a interpretação das histórias (somente em inglês); e, finalmente, o subcapítulo sobre Lewis Carroll, parte do capítulo 3, do livro A Literatura Infantil, de Nelly Novaes Coelho.

Ora ou outra, nos livros e artigos supracitados, trata-se um pouco sobre a vida de Lewis Carroll e sobre a era Vitoriana enquanto trata-se, ao mesmo tempo, sobre o Alice no País das Maravilhas e o Alice Através do Espelho, afinal são livros profundamente ligados à biografia do autor e ao momento histórico em que surgiram. Contudo, obviamente há também livros que focam mais nos aspectos biográficos e históricos do que nos literários. Dentre esses, destacarei apenas um, devido a sua qualidade: Lewis Carroll — Uma Biografia, de Morton N. Cohen, a melhor biografia já publicada sobre o autor. É excelente, vale muito a pena ler. Por fim, há um último livro interessantíssimo para se estudar os traços psicológicos de Lewis Carroll, ainda que não passe nem perto de ser uma biografia. Falo do Cartas às suas amiguinhas, uma compilação de diversas das cartas enviadas pelo escritor às suas amigas, todas crianças, tratando de assuntos diversos. Uma pena só é que nenhuma carta enviada à Alice Liddell (a Alice real, que inspirou a de papel) tenha sobrevivido ao tempo. Curioso e estranho, não?

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É com grande satisfação, contentamento e orgulho que compartilho com vocês, leitores, mais uma monografia minha sobre as Alices, dessa vez abordando questões concernentes à área de educação – a outra monografia, sobre as Alices e tradução literária, também já foi postada aqui no blogue. Sem mais, espero que gostem:

RESUMO

O presente estudo visa analisar literariamente alguns dos símbolos existentes nos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898), a fim de propor como se trabalhar as obras supracitadas com fins didáticos, focando especificamente na docência de aulas de Língua Portuguesa para alunos da 8ª série (9º ano) do Ensino Fundamental.
Ao longo deste trabalho, será abordado como se deram o surgimento das atividades de escrita e de leitura e seu ensino em diferentes épocas; tratar-se-á o que os principais documentos brasileiros sobre educação defendem quanto ao ensino de Língua Portuguesa nas escolas; serão expostas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas carrollianas; dados sobre a vida de Lewis Carroll e sobre sua psicologia estarão evidenciados; os dois livros em questão terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são e para que o docente aqui encontre uma espécie de miniguia de leitura das histórias; e, por fim, será apresentada a proposta didática, que objetiva a introdução dos alunos aos estudos literários de maneira que lhes sejam estimulados o gosto e o prazer pela leitura.

Palavras-chave: Educação, docência, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONCALVES, Higor. Entrando na toca do Coelho

Arte por Su Blackwell

Arte por Su Blackwell

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Conforme exposto na seção “Leia-me” aqui do blogue, eu vinha já há algum tempo estudando as Alices, lendo sobre a vida do Lewis Carroll e pesquisando o contexto da Era Vitoriana a fim de elaborar uma monografia que relacionasse esses assuntos à área de tradução. À medida que os textos por mim preparados iam ficando prontos, eu os postava aqui para vocês, leitores, que sempre me motivaram a seguir em frente. Portanto, antes de mais nada gostaria de expressar aqui neste espaço meus sinceros agradecimentos a todos que vêm acompanhando o The Bloggerwocky e tecendo comentários sobre o site no Facebook, Orkut, Twitter ou aqui mesmo no blogue.

Agradecimentos feitos, é hora de irmos direto ao ponto principal deste post: no fim do ano passado concluí e defendi minha monografia, a qual foi muito elogiada e, para minha grande alegria, recebeu nota máxima por parte da banca examinadora. É então com muita satisfação que venho compartilhar esse trabalho com vocês. Espero que gostem e comentem:

RESUMO

Traduzir literatura é uma tarefa árdua, principalmente no caso de textos altamente polissêmicos. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo explicitar algumas das dificuldades e problemas com que se depara um tradutor literário frente aos desafios de uma obra altamente artística. Para tanto foram escolhidos os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898): duas histórias das mais conhecidas e traduzidas no mundo, que por serem carregadas de referências à era vitoriana, jogos sonoros e poemas, trazem sempre dificuldades quando de sua transposição para outras línguas.
Ao longo deste trabalho, esses dois livros terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são, serão apresentadas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas, dados sobre a vida do autor e sobre sua psicologia estarão evidenciados e por fim encontrar-se-á uma sugestão de tradução para o capítulo 4 do Alice no País das Maravilhas, seguida de comentários feitos a partir do ponto de vista tradutório, de forma a ilustrar como toda a teorização e estudo da obra funcionam na prática.

Palavras-chave: Tradução literária, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONÇALVES, Higor B. Um sonho lúcido…

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Os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871) são, desde o século XIX, quando foram escritos, não apenas clássicos da literatura inglesa, mas clássicos da literatura universal. Há gerações eles encantam crianças, jovens e adultos, e assim Alice sai do simples domínio do papel impresso para povoar o imaginário de todos que passam a conhecer suas aventuras, tornando-se a personagem um arquétipo do feminismo e da pureza, da sagacidade, da curiosidade e do espírito aventureiro infantis. Isso acontece de uma forma tal que atualmente grande número de releituras (muito variadas entre si) da personagem e das situações narradas nos livros aparecem em qualquer parte do mundo sob a forma de ilustrações, filmes, jogos, músicas, animações ou mesmo inseridas em outros livros, não necessariamente literários.

Lewis Carroll

Lewis Carroll

Todo esse sucesso decorre da originalidade e da destreza com que o autor, Lewis Carroll, pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, consegue criar histórias polissêmicas e de consequente valor literário. Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho são independentes entre si, porém podem ser vistas como complementares por compartilharem muitos elementos e terem mais ou menos a mesma essência.

Convém salientar que a personagem Alice foi inspirada em uma menininha real, chamada Alice Pleasance Liddell[1]. Diferentemente do que as pessoas influenciadas pela famosa animação de Walt Disney[2] e pelas ilustrações de Tenniel possam imaginar, a Alice de carne e osso, filha do deão do Christ Church, tinha cabelo escuro. Foi para ela que Carroll criou o Alice no País das Maravilhas. É interessante ressaltar que ainda que Dodgson gostasse muito da menina e tenha tentado homenageá-la, o próprio nome “Alice” nas histórias não deve ser interpretado como um mero acaso: derivado do grego “Alétheia” (“ἀλήθεια”), ele significa “Verdade”, reforçando a interpretação mais ampla dos livros carrollianos para além dos fatos narrados e abrindo todo um escopo de possibilidade de entendimento dos diversos enigmas que abundam nas duas obras.

A ideia para o primeiro livro, aliás, surgiu durante um passeio de barco a 4 de julho de 1962, em que Alice e suas irmãs pediram para Dodgson, um amigo da família, lhes contar uma história. Ele então inventou um embrião oral da narrativa, o qual por sua vez transformou-se no Alice’s Adventures under Ground, um livro redigido à mão (e já com ilustrações, feitas pelo próprio Dodgson) que o autor deu à menina como presente de Natal. Algum tempo depois o escritor decide publicar a história, mexe consideravelmente no texto e entra em contato com um ilustrador profissional famoso da época, chamado John Tenniel, para fazer as ilustrações. Essa publicação é o Alice no País das Maravilhas tal como o conhecemos, e a primeira edição foi bancada pelo próprio Dodgson. Ele sempre se preocupou com qualidade, por isso cuidava para que o acabamento das edições fosse o melhor possível. O sucesso foi enorme já no lançamento, sendo o livro mais vendido, e de lá para cá nunca mais deixou de ser reeditado.

Dodgson é uma figura bastante enigmática. Da mesma forma como assinava seus trabalhos literários com um pseudônimo, há críticas que defendem que sua própria personalidade também era dupla: de um lado haveria o lado fortemente racional do Dodgson real, um matemático, professor, religioso, homem apegado à normalidade da época e autor de livros sobre lógica e matemática; e em oposição, haveria um lado sonhador, o lado Carroll, aquele do mundo interior que se abre ao fantástico e que se manifestava nos trabalhos literários.

Também, até hoje se discute se ele era ou não pedófilo, já que só gostava de ficar na companhia de menininhas e não se sentia muito confortável com garotos ou adultos. Eram muitas as suas amiguinhas, e ele gostava de lhes escrever cartas peculiares, com desenhos ao invés de palavras. Várias dessas cartas foram preservadas até hoje, com exceção daquelas escritas para Alice, as quais desapareceram todas. Se essa atração por garotas era de cunho sexual ou não só temos como especular, pois não há fatos concretos que provem o que quer que seja. Ainda quanto a essa polêmica, é curioso notar que Dodgson mantinha um diário, mas as páginas que podiam ter alguma informação sobre sua relação com as meninas, bem como as páginas que em teoria continham o motivo de os laços com a família da Alice terem sido cortados, foram misteriosamente arrancadas após sua morte, talvez por algum membro de sua família. E isso levanta algumas suspeitas, pois o que é que poderia haver ali para que fossem arrancadas? Será que era algo comprometedor? Que fim teriam levado as cartas escritas para Alice e o que haveria nelas?

Dodgson tinha afeição pela lógica, por escrever e por meninas, e tinha como hobby a fotografia (à época uma novidade). Gostava de fotografar suas amiguinhas, fazendo por vezes até nus, mas tudo sempre com o consentimento das famílias e das próprias meninas. Esses nus, vale frisar, não têm nada de erótico, são apenas ensaios artísticos. E aí destaca-se outro traço importante da personalidade de Carroll: ele sempre foi muito nostálgico e inclusive escreveu poemas dizendo que gostaria de voltar a ser criança e que trocaria tudo por ser jovem de novo. E o que é que há de mais nostálgico do que a própria arte da fotografia? Fotografar nada mais é do que “congelar” alguma coisa em um determinado espaço e tempo. Dessa maneira, Carroll poderia ter as amiguinhas para sempre imutáveis. Já que é impossível não crescer, ao menos a juventude e a inocência delas estariam para sempre preservadas nos retratos, reificadas, uma réplica vulgar da essência. Meninas presas porém ausentes.

Outra peculiaridade interessante é que Carroll tinha uma coleção de bonecas, que alguns dizem servir para “atrair” as meninas. Mas se isso for analisado com mais calma, pode-se perceber que, psicologicamente falando, talvez o que aconteça nesse caso seja o mesmo que acontece no da fotografia, isto é, uma maneira consciente ou não que o autor encontrou de amenizar a nostalgia que havia dentro de si. Basta parar para pensar na semelhança entre bonecas e a imagem feminina (analogia que aliás é feita desde a antiguidade). Dodgson talvez tivesse o sonho de possuir uma menininha que nunca envelhecesse. A dedicação em escrever histórias nonsense para crianças, aliás, talvez tivesse como fim estabelecer um contato com o mundo infantil, que ele tanto admirava.

Com o tempo, a nostalgia de Carroll cresce e isso se reflete nas suas obras literárias. Por exemplo, ao compararmos o Alice no País das Maravilhas com o Alice Através do Espelho, notaremos que no segundo, escrito seis anos mais tarde, Alice sofre um tipo de crueldade sutil que diverge do tom do primeiro livro e que a personagem também passa por acontecimentos melancólicos impensáveis no contexto de sua primeira aventura, como por exemplo no capítulo cinco:

Assim deixou-se o barco seguir pelo ribeirão ao seu bel-prazer, até que deslizou suavemente para o meio dos juncos oscilantes. Então as manguinhas foram cuidadosamente arregaçadas, e os bracinhos mergulhados até os cotovelos para pegar os juncos bem mais abaixo antes de quebrá-los… e por algum tempo a Ovelha e seu tricô sumiram da cabeça de Alice, enquanto ela se debruçava sobre a borda do barco, só as pontas dos cabelos emaranhados mergulhando na água… e, com olhos faiscantes e sôfregos, apanhava feixe após feixe dos encantadores juncos perfumados.

“Espero que o barco não vire!” disse para si mesma. “Oh, que lindo é aquele. Só que não consegui alcançá-lo.” E certamente parecia um pouco enervante (“quase como se fosse de propósito”, ela pensou) que, embora conseguisse colher quantidades de lindos juncos à medida que o bote deslizava, houvesse sempre um mais lindo que não podia alcançar.

“Os mais bonitos estão sempre mais longe!” disse por fim, com um suspiro ante a teimosia dos juncos em crescerem tão afastados, enquanto, faces afogueadas e cabelo e mãos pingando, tentava voltar a seu lugar e começava a arrumar seus recém-descobertos tesouros.

Que lhe importava naquele momento que os juncos tivessem começado a murchar e a perder seu perfume e beleza, desde o momento em que os colhera? Até juncos perfumados reais, como você sabe, duram só por pouco tempo… e esses, sendo juncos de sonho, derretiam quase como neve enquanto repousavam em feixes aos pés dela… mas Alice mal percebeu isso, tantas outras coisas curiosas tinha para pensar. (CARROLL, 2002, p.58)

Seriam os juncos uma metáfora para a efemeridade da beleza das crianças de que Carroll gostava, ou mais além, para a fugacidade de todo tipo de beleza?

A vida de Dodgson sempre foi envolta em muito mistério. Foram vários os biógrafos e comentadores de suas obras que se propuseram a tentar desvendar os inúmeros enigmas e lacunas que envolvem criador e obras. De uma forma ou de outra, é disso que é feita a boa literatura: de releituras sempre novas e atualizadas e de, por vezes, dados biográficos que instigam a curiosidade das mentes curiosas.

 


[1] É interessante atentar na simetria existente entre os nomes “Alice Liddell” e “Lewis Carroll”. O número de letras é o mesmo e a relação consoante-vogal também chama a atenção: no primeiro nome, onde em um há consoante, no outro há vogal; e no sobrenome, a posição das consoantes e das vogais é a mesma.

[2] Essa versão de Walt Disney é na verdade uma mistura das histórias dos dois livros, apesar de levar o título “Alice no País das Maravilhas”.

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Link para download:

http://www.4shared.com/document/mCp_s414/Prface_de_Jean_Gattgno.html

Agradecimentos a Teresa de Almeida Arco e Flexa pelo material.

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Capa

Material encontrado no blogue da Sociedade Lewis Carroll do Brasil (clique nas imagens para ampliá-las).

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