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Archive for the ‘História’ Category

Alice

Deriving from Old French and Old German, related to Adelaide, Alice was a popular name in medieval England. Like most such names, by the middle of the 17th century Alice was regarded as old-fashioned and rustic, fit only for servants and the like. It had to wait until the mid-19th century love affair with the Middle Ages for its revival as a fashionable name; the novelist Charlotte M Yonge called it ‘a favourite fancy name’ in 1863. It was the name of the real middle-class child who inspired Lewis Carroll to write Alice in Wonderland, the publication of which in 1865 spread the name’s popularity.

Alicia

In about the 12th century Alice was latinised into the alternative form, Alicia, picked up again in the 18th century with the vogue for such variants.


Reference:

LANE, Maggie. Jane Austen and names. Endeavour Press Ltd., 2014.

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É com grande satisfação, contentamento e orgulho que compartilho com vocês, leitores, mais uma monografia minha sobre as Alices, dessa vez abordando questões concernentes à área de educação – a outra monografia, sobre as Alices e tradução literária, também já foi postada aqui no blogue. Sem mais, espero que gostem:

RESUMO

O presente estudo visa analisar literariamente alguns dos símbolos existentes nos livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898), a fim de propor como se trabalhar as obras supracitadas com fins didáticos, focando especificamente na docência de aulas de Língua Portuguesa para alunos da 8ª série (9º ano) do Ensino Fundamental.
Ao longo deste trabalho, será abordado como se deram o surgimento das atividades de escrita e de leitura e seu ensino em diferentes épocas; tratar-se-á o que os principais documentos brasileiros sobre educação defendem quanto ao ensino de Língua Portuguesa nas escolas; serão expostas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas carrollianas; dados sobre a vida de Lewis Carroll e sobre sua psicologia estarão evidenciados; os dois livros em questão terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são e para que o docente aqui encontre uma espécie de miniguia de leitura das histórias; e, por fim, será apresentada a proposta didática, que objetiva a introdução dos alunos aos estudos literários de maneira que lhes sejam estimulados o gosto e o prazer pela leitura.

Palavras-chave: Educação, docência, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONCALVES, Higor. Entrando na toca do Coelho

Arte por Su Blackwell

Arte por Su Blackwell

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Conforme exposto na seção “Leia-me” aqui do blogue, eu vinha já há algum tempo estudando as Alices, lendo sobre a vida do Lewis Carroll e pesquisando o contexto da Era Vitoriana a fim de elaborar uma monografia que relacionasse esses assuntos à área de tradução. À medida que os textos por mim preparados iam ficando prontos, eu os postava aqui para vocês, leitores, que sempre me motivaram a seguir em frente. Portanto, antes de mais nada gostaria de expressar aqui neste espaço meus sinceros agradecimentos a todos que vêm acompanhando o The Bloggerwocky e tecendo comentários sobre o site no Facebook, Orkut, Twitter ou aqui mesmo no blogue.

Agradecimentos feitos, é hora de irmos direto ao ponto principal deste post: no fim do ano passado concluí e defendi minha monografia, a qual foi muito elogiada e, para minha grande alegria, recebeu nota máxima por parte da banca examinadora. É então com muita satisfação que venho compartilhar esse trabalho com vocês. Espero que gostem e comentem:

RESUMO

Traduzir literatura é uma tarefa árdua, principalmente no caso de textos altamente polissêmicos. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo explicitar algumas das dificuldades e problemas com que se depara um tradutor literário frente aos desafios de uma obra altamente artística. Para tanto foram escolhidos os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Alice Através do Espelho (1871), escritos por Lewis Carroll (1832-1898): duas histórias das mais conhecidas e traduzidas no mundo, que por serem carregadas de referências à era vitoriana, jogos sonoros e poemas, trazem sempre dificuldades quando de sua transposição para outras línguas.
Ao longo deste trabalho, esses dois livros terão algumas de suas partes-chave analisadas a fim de que se possa ter uma ideia do quão plurissignificativos são, serão apresentadas algumas informações sobre o contexto histórico da escritura das narrativas, dados sobre a vida do autor e sobre sua psicologia estarão evidenciados e por fim encontrar-se-á uma sugestão de tradução para o capítulo 4 do Alice no País das Maravilhas, seguida de comentários feitos a partir do ponto de vista tradutório, de forma a ilustrar como toda a teorização e estudo da obra funcionam na prática.

Palavras-chave: Tradução literária, Alice no País das Maravilhas, Alice Através do Espelho, Lewis Carroll, literatura, era vitoriana.

Link: GONÇALVES, Higor B. Um sonho lúcido…

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Durante o século XIX, os contos de fadas foram fortemente criticados por não ensinarem nada específico e por não conterem valores cristãos, sendo malvista a própria presença do elemento fantástico nas histórias. Acreditava-se que os livros infantis deveriam ter conteúdo educacional, e assim, em 1840, os contos clássicos passam a ser reformulados e refinados de acordo com a nova postura moralizante. Nas décadas de 1840 e 1850, além da reescrita, muitos contos de fadas novos são criados, entretanto tratam-se de histórias fracas e sem originalidade.

E é nesse contexto que, em 1865, o livro Alice no País das Maravilhas é lançado, seguido seis anos depois pelo Alice Através do Espelho. Contudo, diferentemente das outras várias histórias infantis escritas à época, a devoção, o moralismo e o cunho didático não se fazem presentes nas obras de Carroll. Ainda assim, as Alices foram muito bem recebidas pela crítica e pelo público, sobreviveram ao tempo e suas aventuras são hoje das mais traduzidas e lidas no mundo. Por quê?

Para alguns, especialmente para as crianças, o que encanta nas aventuras de Alice é o fantástico (as mudanças de tamanho, os animais que falam, os acontecimentos imprevisíveis…), e para outros, é a lógica usada por Carroll para desenvolver as idéias, incluindo aí a habilidade do autor na escolha das palavras para criar, dentre outros, piadas, ironias e sensações diversas. Mas talvez o que mais faz com que os leitores se identifiquem é a forma como o nonsense é colocado em oposição à rotina diária e enfadonha da escola.

Seja no País das Maravilhas ou no mundo do outro lado do espelho, Alice é constantemente lembrada de coisas que aprendeu, mas sempre de maneira distorcida, o que faz com que tais coisas fiquem sem sentido. Por exemplo, os versos moralizantes que as crianças tinham que decorar nas escolas são ironizados na forma de paródias; fatos históricos sobre os anglo-saxões são repetidos pelo Rato como as coisas mais “secas” que ele conhece; a personagem Duquesa, que tem o hábito de encontrar uma moral irrelevante e absurda em tudo, é um escárnio contra se querer moralizar todas as histórias infantis; as matérias que a Tartaruga Falsa diz ter estudado na escola são uma crítica clara ao sistema de ensino; o final do Através do Espelho, em que Alice sacode a Rainha Vermelha, a essência concentrada de toda governanta (ela gosta de dar a todo momento instruções rápidas de etiqueta), também é bastante sugestivo; dentre outras muitas passagens satíricas.

Assim, pode-se ver como os dois livros de Alice vêm numa direção contrária às tendências moralizantes da época. Tratando tudo com bom humor e nonsense, Carroll reduz as dificuldades do dia-a-dia infantil de algo assustador para uma realidade tolerável. Ainda que Alice seja questionada e maltratada por outros personagens, o controle final é dela, e com isso o leitor se identifica e percebe que não é apenas um sujeito passivo dentro do mundo em que vive.

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Comentários das traduções

Abaixo serão comentadas apenas as passagens mais interessantes do ponto de vista tradutório, seja pelas dificuldades encontradas em sua tradução ou por apresentarem alguma diferença digna de nota quando comparadas as versões inglesa, de Lewis Carroll, a tradução francesa, de Jacques Papy, e as duas traduções para o português, feitas por mim. Vale ressaltar também que, consequentemente, o intuito não é focar a análise dos textos a partir do ponto de vista literário.

Texto em inglês

Tradução do inglês

Texto em francês

Tradução do francês

“The Rabbit Sends in a Little Bill” “O Coelho envia Pedro e pedras” “Le Lapin Envoie Pierre et Pierres” “O Coelho envia Pedro e pedras”

Já no título do capítulo o tradutor se depara com um belo desafio, que advém de quatro elementos essenciais da construção da frase: o sintagma “The Rabbit” na posição sintática de sujeito, um verbo transitivo direto na voz ativa, o sintagma “a Little Bill” como o objeto direto (sofrendo a ação) e a polissemia do signo duplo “Bill”, este último elemento responsável por transformar os três anteriores em um quebra-cabeça complicado.

“Bill”, no caso, pode ser tanto o pequeno lagarto que é chutado pela chaminé (exercendo tal palavra uma função de substantivo próprio) como também pode significar “conta”, “fatura” (exercendo desse modo um papel de substantivo comum). Trata-se de uma brincadeira com o fato de Alice ter se hospedado, ainda que sem querer, na casa do Coelho. No tocante aos outros elementos, é interessante notar que quem pratica a ação de enviar alguém (“to send someone in”) é o Coelho, figura influente no País das Maravilhas, como o sugerem o pronome de tratamento “yer honour” pelo qual é chamado mais adiante no capítulo e o cargo por ele ocupado no tribunal do Rei de Copas ao fim do livro; por sua vez, é o lagarto Bill, em posição de serviçal, quem terá de cumprir a ordem do Coelho e descer pela chaminé.

Jacques Papy resolve bem esses problemas, adaptando o nome Bill, cujo correspondente em português seria Guilherme e em francês, Guillaume, para Pierre (Pedro), brincando assim com a raiz comum existente entre “Pierre” (“Pedro”) e “pierre” (“pedra”) a fim de criar um jogo sonoro que ao mesmo tempo compense as perdas da tradução e possibilite manter a estrutura sintática da frase em inglês, com toda a significação já discutida que ela encerra. Tomou-se emprestada essa ótima solução do tradutor francês para a tradução apresentada do texto inglês.

Texto em inglês

Tradução do inglês

Texto em francês

Tradução do francês

“Where can I have dropped them, I wonder?” Onde é que posso ter deixado cair?” “Où diable ai-je bien pu les laisser tomber ?” “Onde raios pude tê-los deixado cair?”

Ao longo das Alices, Carroll emprega com muita frequência o efeito itálico a fim de enfatizar algumas palavras. Contudo, o tradutor francês, ao menos no capítulo tomado para análise (capítulo 4), elimina a maior parte desses destaques e busca imprimir as ênfases por intermédio de construções gramaticais ligeiramente diferentes das existentes no texto em inglês. Detenhamo-nos à passagem acima como forma de exemplificação de tais adaptações: ao empregar “où diable”, traduzido por “onde raios”, Pappy faz uso do determinante “diable” (eufemizado em português por tratar-se de um livro infantil) como tentativa de transmitir a mesma inflexão presente em “where can I”, esse último, por sua vez, traduzido como “onde é que”.

E isso nos leva a mais uma ponderação relevante: na tradução inglês-português todos os itálicos enfáticos foram mantidos, ainda que com ligeiras adaptações, as quais objetivaram buscar uma melhor fluência na língua de chegada. Assim, deslocou-se a ênfase do verbo modal “can”, que na tradução corresponderia ao verbo “posso”, para o pronome interrogativo “onde”, em inglês, “where”.

Texto em inglês

Tradução do inglês

Texto em francês

Tradução do francês

“Why, Mary Ann, what are you doing out here?” “Por Deus, Amélia, o que você está fazendo aqui fora?” “Eh bien, Marie-Anne, que diable faites-vous là ?” “Oras, Mariana, que raios você está fazendo aqui?”

Sobre o significado de “Mary Ann”, Martin Gardner esclarece que:

Segundo Roger Green, Mary Ann era na época um eufemismo britânico para “criada”. A amiga de Dodgson, sra. Julia Cameron, uma apaixonada fotógrafa amadora, tinha realmente uma criada de 15 anos chamada Mary Ann e há uma fotografia dela na biografia de Carroll escrita por Anne Clark para prová-lo. Mary Anne Paragon era a criada desonesta que cuidava da casa de David Copperfield (ver cap.44 do romance de Dickens). Sua natureza, nos é dito, era “debilmente expressa” por seu último nome [paragon é modelo, exemplo].

Dicionários de gíria dão outros sentidos para Mary Ann correntes na época de Carroll. O mostruário de uma modista era chamada [sic] de Mary Ann. Mais tarde, especialmente em Sheffield, o nome ficou associado a mulheres que combatiam lojistas que exploravam os empregados. Ainda mais tarde, tornou-se um termo vulgar para sodomitas.

Antes da Revolução Francesa, Mary Anne era um termo genérico para organizações republicanas, bem como uma gíria para a guilhotina. Marianne tornou-se e ainda é um símbolo feminino mítico das virtudes republicanas, um símbolo francês comparável ao John Bull da Inglaterra e ao Tio Sam. É tradicionalmente representada, em charges políticas e estatuetas, carregando o barrete frígio vermelho usado pelos republicanos na Revolução Francesa. É provavelmente por coincidência que o uso do nome por Carroll antecipa a obsessão pela decapitação partilhada pela Duquesa e a Rainha de Copas.

Assim, por ser “Mary Ann” além de um substantivo próprio também um eufemismo para “criada”, buscou-se evocar na tradução do inglês para o português os semas de mulher submissa, muito sugestivos no contexto em questão, por intermédio da adaptação do nome para “Amélia”, também um signo duplo, cuja acepção segundo o dicionário Houaiss é:

amélia s.f. (1942) B infrm. mulher amorosa, passiva e serviçal. ETIM antr. Amélia, do samba Ai! que saudades da Amélia, de autoria de Ataulfo Alves e Mário Lago (1942)

Já na tradução feita a partir do francês, uma vez que o nome “Marie-Anne” não evoca nenhum outro sentido importante (ainda que de acordo com a definição supracitada de Martin Gardner pudéssemos estabelecer daí uma relação, a meu ver não tão relevante, com a Revolução Francesa), optou-se em português pelo nome equivalente “Mariana”, simplesmente.

Texto em inglês

Tradução do inglês

Texto em francês

Tradução do francês

“”Sure, it’s an arm, yer honour!” (He pronounced it “arrum.”)” “— Claro, é um braço, S’Excelência! (Ele pronunciava “umbrás”.)” “‒ Pour sûr que c’est un bras, not’ maît’ ! » (Il prononçait : brâââs).” “— Com certeza que é um braço, senhô! (Ele pronunciava “braaaço”.)”

Conforme aponta o estudioso Martin Gardner (CARROLL, 2002, p.38), o personagem Pat, da maneira como foi originalmente criado por Carroll, tem nome e sotaque irlandeses. Era comum (e é ainda hoje) explorar variações linguísticas e desvios da chamada norma-padrão como elementos humorísticos em textos cômicos, orais ou escritos.

Tendo isso em mente, pode-se notar que tanto na tradução francesa de Papy como nas para o português levou-se mais em conta a preservação do tom oral e do humor presentes nesse diálogo do que a adaptação da fala de Pat para um determinado sotaque regional e notório. Traduzir variações lingüísticas é sempre um desafio para o tradutor, e assim há que se trabalhar constantemente com base em compensações: ora alguma nuance se perde, ora outra nuance se ganha.

Vale ressaltar também a preocupação em se traduzir com uniformidade o vício de linguagem de Pat, que em inglês inicia todas as falas dizendo “sure”, palavra vertida na tradução inglês-português por “claro”, na tradução inglês-francês, pela expressão “pour sûr” (que, convém frisar, nem sempre está no início da fala) e, na francês-português, por “com certeza”.

Texto em inglês

Tradução do inglês

Texto em francês

Tradução do francês

“”Where’s the other ladder?—Why, I hadn’t to bring but one. Bill’s got the other—Bill! Fetch it here, lad!—Here, put ‘em up at this corner—No, tie ‘em together first—they don’t reach half high enough yet (…)” ““Onde está a outra escada? — Ora, eu tinha que trazer só uma. O Pedro está com a outra — Pedro! Traga ela aqui, rapaz! — Aqui, bote de pé nesse canto — Não, amarre uma na outra antes… elas ainda não chegam nem na metade da altura (…)” “« Ousqu’est l’autre échelle? — On m’a dit d’en apporter qu’une ; c’est Pierre qu’a l’autre. — Pierre, amène-là ici, mon gars ! — Mettez-les à ce coin-ci. — Non, faut d’abord les attacher bout à bout ; elles arrivent point assez haut.” “— Onde é que tá a outra escada? — Só me falaram pra trazer uma; é o Pedro que tá co’a outra. — Pedro, traga ela aqui, meu rapaz! — Coloquem as duas neste canto aqui. — Não, precisa primeiro prender as pontas delas juntas, senão não vão alcançar até lá.”

A exemplo do personagem Pat, os outros animaizinhos e aves que aparecem para ajudar o Coelho a tirar Alice de dentro da casa não falam de acordo com a norma-padrão. Dessa forma, aqui mais uma vez compensaram-se perdas em algumas partes com ganhos em outras, conforme as especificidades de cada língua.

É relevante destacar que a tradução francesa apresenta mais desvios da norma-padrão do que o texto de Carroll, talvez por não haver na língua inglesa uma distância tão grande no que tange às diferenças de registro quando em comparação com as línguas francesa e portuguesa. De qualquer forma, as traduções para o português refletem essas diferenças. Assim, pode-se notar que a tradução feita a partir do francês tem um tom ligeiramente mais informal do que a tradução inglês-português.

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Link para download:

http://www.4shared.com/document/mCp_s414/Prface_de_Jean_Gattgno.html

Agradecimentos a Teresa de Almeida Arco e Flexa pelo material.

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Capa

Material encontrado no blogue da Sociedade Lewis Carroll do Brasil (clique nas imagens para ampliá-las).

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